pidi sua potreção;
prifiro topá o “cão”
do que tê qui trabaiá.
No mundo quero ficá
sem fazê força de nada.
Quero cumê é buchada
na casa dos outos home,
ou então morrê de fome,
mais num pego na inxada.
Vim, seu Sadi, li tomá
dois minréis, mod’eu cume,
pois já tô é pá morrê
de fome pá me acabá.
Mais se fô p’eu trabaiá,
miscondo den’dum balaio,
eu faço o trato mais fáio,
perco o prato de fejão,
vou pá dibaxo do chão,
mais trabaiá num trabáio.
Eles me chama na rua
o doido Zé de Teté.
Mais assunta cuma é:
É só nas quadra de lua.
Minina inté fica nua!
E as vez vira lubizome!
Prifiro zelá meu nome,
mais nesse laço num caio
ói, seu Sadi, num trabáio;
prifiro morrê de fome.
Eles dize poraí
qui sou doido e qui sou torto,
qui compro cavalo morto,
mais quem paga é Seu Sadi.
E até já disisti
de botá ele no pasto.
Pego os dois bôi de arrasto,
mando tirá do atolero,
vendo ganhando dinheiro,
mais do trabaio m’afasto.
Prifiro vivê sozim
rua acima, rua abaxo;
prifiro tá no delaxo
mais num sai do meu camim.
Prifiro tá num cantim,
mais dessa vida num saio;
prifiro levá um táio,
brigando cum quarqué home,
prifiro morrê de fome,
mais trabaiá, num trabaio.
Esse personagem folclórico dizia, se enaltecendo, que preferia morrer de fome a ter que trabalhar, viveu em Itanhém e tinha como protetor o Sr. Sadi Lisboa, homem de conduta ilibada e imortalizado pela postura no sentido de dar ajuda às pessoas, especialmente aos menos favorecidos pelo destino.