A Danilo Sobrera,cearense de Missão Velha, homem que, se tremer de medo diz que é frio mas não se entrega, depois de vê-lo lutando com muita garra na instalação desse artefato para dar água ao rebanho na sua grande fazenda em Jequié, lhe fiz estes versos.
(Me disse um velho vaqueiro do Largo das Caatingas: “Eu comi u’a quarta de farinha, duas rapadura e dois quilo de jabá mode trevessá a fazenda de dotô Danilo. Eh home que tem terra... benza Deus!”)
(Me disse um velho vaqueiro do Largo das Caatingas: “Eu comi u’a quarta de farinha, duas rapadura e dois quilo de jabá mode trevessá a fazenda de dotô Danilo. Eh home que tem terra... benza Deus!”)
Trambôi de ferro, isquisito,
eu te óio e fico afrito
era muito mai bunito
nói num precisá de tu.
Óiá nuis are ai saúva,
tudim agorano chuva
qui nem roupa de viúva;
vê ai nuve tudo azú.
O azú dái truvuada
vê corrê a inxurrada
e tu seno carregada
daqui pá ôto país.
E nói brincá no lamero
qui se foimou no terrero,
todo mundo prazentero
e ui bicho tudo filiz.
Quando te iscuto me imperro,
me fai má uvi teu berro,
caranguejera de ferro
inventada p’ui dotô.
Tu pra mim tem grande faia;
priguiçosa, só trabaia
se amarrá tua saia
nai custela dum motô.
Cum fé im Deu eu te vejo
suja iguá um caranguejo,
laigada cuma o subejo
do boi turino qui muje.
Lá num canto, disprezada,
pur nói amaidiçuada,
toda fêa iscangaiada,
cumida pela ferruge.
E esse motô nojento,
num popopô baruiento,
todo sujo, fumacento,
isso é coisa do Diogo*.
Além de fazê baruio,
dá vorta e mêa, uns inguio
e sai junto cum uns bascuio,
u’a lingüeta de fogo.
Nói tá de tu precisado
puiquê tá cum sede o gado,
mai eu prometo, danado,
fazê contigo um buliço.
Juntá cum todo ui vaquero,
te afogá num lamero
e agradecê em Juazero
a chuva a meu Padim Ciço.
E essei canudo grosso,
essa tá vaiva de poço,
essei juêi e peicoço
e mai um tá mangote!...
Se eu pudesse pegava
tudim e estraçaiava
e tu, danada, infoicava
c’uma corda no cangote.
Ceis num me ganha, eu garanto,
meimo seno um tanto ou quanto,
aprendi rezá pui santo;
eu sei que ocêi num me vence.
Minha dô ceis num inxagua
nem vão crescê minha mágoa;
eu vô tê chuva dais água,
sei rezá, sou cearense.
*Diabo