REVOLTA

Meu crítico amigo
Meu bom companheiro
Chegou cavalheiro
Querendo beber.
Não tenho bebida
Sou um evangélico
Tal qual Frei Angélico
Pude responder.


A minha mulher
Pra lhe agradar
Correu ao pomar
E trouxe-lhe coco.
Mas ele, rebelde
Bramia, falava,
Aqui só ficava
Pra beber um pouco.


E ele insistia
Já como pirraça
Querendo cachaça
Ou qualquer bebida.
Fiquei constrangido
Ao dizer-lhe não,
Fui anfitrião
E dei-lhe comida.


Fizemos de tudo
Pra lhe agradar
E ele, a teimar
Como um mente insana.
Enfim, se acalmou
Surgiu uma luz
Servimos cuscuz
Lingüiça e banana.


Lhe demos dormida
Num apartamento
E ele, “infarento”
A teimar como um touro
Chegou de manhã
Com cara de aflito
Falando em mosquito
Barata e besouro.


Tentamos por tudo
Fazer-lhe um café
Mas ele, com o pé
Batia teimoso
Dizendo ruim
O tal desjejum
Que, além de comum,
Não era gostoso.


Em sua homenagem
Fizemos um bolo
Mas ele foi tolo
Não quis esperar.
Deixou de comer
Cuscuz, macaxeira
Por pura besteira
Perdeu o manjar.


Ficamos “retados”
Com sua atitude
Provou que era rude
E mal educado.
Mas nós esperamos
Que volte outro dia
Sem muita arrelia
Pois foi perdoado.


Para Ary Moreira Lisboa, de quem gostaria de ter sido amigo desde a infância, homem de caráter raro e a “missa de corpo presente”, com um afetuoso abraço.

Pouso do Guerreiro, 15 de maio /2004.