Quando morrer eu quero ser levado
Em uma rede... como antigamente.
Na sepultura onde for plantado
Não quero choro. Mas... riso somente
Quero alegria, o corpo rebuçado
Com a cal virgem e estarei contente
Pois com certeza o germe esfomeado
Não me terá, voraz, como um cliente
Se for cremado, quero a minha cinza
Lançada ao campo pra servir de adubo
Quero ser útil ao chão —não ser ranzinza—
Pois como relva sei que cresço e subo
Se não houver, acaso, um crematório
Busquem no campo a lenha pra fogueira
O reviver que dizem, é ilusório
Não serei feito da mesma caveira.
A minha alma, sim, quem sabe Deus
Ela retorne viva, em alto astral!
Aí então eu reverei os meus
Mesmo encarnado num outro animal
Mas vou levar daqui muita saudade
Dos meus amigos levo o bom legado
Pra desfrutar sozinho, na eternidade
E me lembrar que amei e fui amado
E se tiver por mim quem ria e chore
Pode chorar que o pranto aplaca a dor
E se quiser sorrir, sorria, não demore
Porque de mim terá o eterno amor
04/2002