Vaguei pelo mundo seguindo o amor
Andei em palácio cortiço favela
Rondei incansável a minha donzela
Subi fui aos ares além do condor
Tal qual a abelha que suga nas flores
Busquei o meu néctar por todo o caminho
Nem néctar nem pólem produz o espinho
Que o tempo me impôs a crescer minhas dores
Pulsando cansado já com arritmia
Badala meu sino cá dentro do peito
Mas sofro impotente não posso dar jeito
N’angústia perversa que mina o meu dia
Imposto ao roteiro cansado seguindo
Sem luz sem saída no meu labirinto
A vida de outrora procuro faminto
Mas foge impiedosa qual raio sumindo
Me aponta ò supremo ò Rei dos humanos
O rumo perdido eu quero e não acho
Meu rio caudaloso tornou-se um riacho
Navego á deriva sem leme e sem planos
Fazei que meu mundo se torne clemente
Mostrando-me a rota no meu andejar
Que possa altaneiro poder viajar
Com a sorte “aboiando” seguindo na frente
Não deixais que o tempo me leve que eu morra
Sem antes eu possa trazer os meus sonhos
Preciso os meus dias alegres risonhos
E não d’uma vida coberta de alforra
Me diga ò gigante de força inconteste
Aonde encontrar esse mapa da mina
Se n’uma enseada ou n’uma ravina
Irei garimpando sedento o meu leste
Num porto seguro de águas tranqüilas
Fagueiro outra vez e poder velejar
Num barco de plumas feliz deslizar
Sem ondas marolas passar sem feri-las
Humilde pedindo sou um esmoler
A minha “Rebeca” que mostre-me os astros
Acendam as luzes dos meus alabastros
No lume me aponte a fada mulher
08/08/2007