PROTESTO DE POETA

Aos Balaieiros, Pseudos poetas, Estelionatários da Poesia

Quem copia o trabalho dum poeta
E assume dizendo que é seu
É um reles beócio, um fariseu
Um moleque ordinário, um vil pateta
Da mentira, do engodo, o estafeta
Ígnóbil, canalha, ignorante,
Energúmeno, ladrão horripilante
A cavar, ignavo, o próprio abismo
É um bruto hospedeiro do cinismo
Um sem classe, um boçal, um meliante.

Se tu és um calhorda incompetente
E não sabes compor nem um só verso
Lança fora esse instinto tão perverso
E assume o teu lado humildemente.
Não te julgues um ser polivalente,
Te conformas apenas com teus dotes
Não inventes, portanto glosar motes
Se não sabes nem mesmo o que é poesia
É melhor te juntar, tem mais valia
A quem sabe e deixar de passar trotes

Dois meses depois da advertência
Com as duas primeiras estrofes:


E o pior é saber que o balaieiro
—Num cinismo nojento que estarrece—
Continua no plágio e permanece
Declamando poesia por inteiro.
Esse bruto covarde é um sendero
Que merece é ir mesmo pra cangalha
Transportar lenha verde pra fornalha
Dum engenho ou de casa de farinha
Na cidade puxar a carrocinha
Da que pega cachorro e amortalha

Inda é tempo, larápio, de mudar
Esse teu proceder, cruel, maléfico
Segue um outro caminho mais benéfico
E quem sabe tu podes encontrar
Nuns versinhos bem simples, um lugar
Que te traga prazer, traga alegria
Fazer parte da nobre cantoria
Não citar mais nenhuma estrofe ladra
Te consagres poeta com uma quadra
Seja honesto no mundo da poesia

Eu espero te sirvam de lição
Estes versos que fiz como um protesto
Eles são, na verdade, um manifesto
Dos poetas que têm inspiração
Segue pois numa outra direção
A trilhar duma vez outro caminho
Te espelhes no bom Santo Agostinho
Uma fonte de amor e de saber
Faze aquilo que tu sabes fazer
Sejas flor ao invés de ser espinho


É melhor se tornar apologista,
Aprender a sorver com inteligência
Da divina poesia a pura essência
E sentir como é grande essa conquista.
E, quem sabe, serás um analista
Ajudando talvez a fazer crítica
Desprezando de vez a tal política
De tornar-se poeta visionário.
E passar a ser crítico literário
Pra fazer em si próprio a auto crítica.


23 de junho de 2004.