BRINCANDO COM OS VERSOS

Ao amigo Danga Mendes, o eterno seresteiro.

Sou poeta, cantor, sou repentista,
sou a gota serena na viola
minha voz estridente me consola,
reconheço também que sou artista.
A raiz é Vitória da Conquista
pois nasceram meus pais, lá no sertão;
me ensinaram a tanger o violão;
toquei muito na terra onde nasci,
meu torrão precioso, Ibicuí,
onde vou sepultar meu coração.


O meu nome de fé, Sebastião,
Danga Mendes, porém, meu apelido.
Sou “cabôco” no verso destemido,
cantador respeitado no sertão.
Quando pego o bendito violão,
me engrandeço, me enlevo, me inspiro
no planeta, correndo, dou um giro,
dou sabença pra rei e pra doutores,
escorraço da terra os cantadores
e nos braços de Baco¹ me atiro.


A Nanuque, a Teixeira eu agradeço,
todo apoio que deram à minha vida
são pra mim o começo da partida
pra viver bem melhor e reconheço.
Do meu peito eu emano o meu apreço,
dedicando em martelo agalopado,
o poema que fiz metrificado,
na cadencia bonita do baião,
abraçado ao meu velho violão,
como um filho pra mim o mais amado.


Sou a larva escaldante dum vulcão,
sou o vento que traz a tempestade,
sou a guerra trazendo atrocidade,
sou o rastro que deixa um furacão.
Sou o primo mais forte de Sansão,
sou a peste arrasando o mundo inteiro,
sou o “cão” sob o pé do gameleiro,
sou pior que Sadan lá no Iraque;
sou quem pega valente dando baque,
sou visagem assombrando violeiro.


Sou a presa afiada da serpente,
sou quem faz pecador entrar no céu,
sou o peso de cima dum mundéu,
sou o cão mordedor, eu sou valente.
Sou quem leva o terror a toda gente,
sou o poço do lago, o mais profundo,
sou quem dá safanão em vagabundo,
sou o Bush no mundo a fazer guerra,
sou a foice amolada do sem terra,
sou navalha cortando todo mundo.


Sou a bomba na mina de carvão,
sou um trem carregado de explosivo,
sou quem guarda segredo, sou arquivo,
sou quem deu uns “bofete” em Lampião.
Sou Alá ensinando o alcorão,
sou vaqueiro correndo a caatinga,
sou a água gostosa da moringa,
sou o “bicho” também fazendo verso,
sou a força maior do universo,
sou o rei do baralho, sou curinga.


Sou vassoura varrendo a falsidade,
sou parente chegado ao “Galileu”,
sou quem deu paciência a Eliseu²,
sou quem joga baralho sem maldade.
Sou quem manda no rei sem vaidade,
sou quem faz o planeta andar girando,
sou Mandela o poder desafiando,
sou quem pôs satanás no mês de agosto,
sou Joãozinho³ coletor cobrando imposto,
sou o Tote4 no verso declamando.


Sou o mar agitado, enfurecido,
sou a onda gigante, um tsunami,
sou furão de concreto, sou badame,
sou Bin Laden vasqueiro e atrevido.
Sou quem faz terrorista empedernido,
sou a onça pintada, sou pantera,
sou o leme guiando uma galera,
sou veneno da cobra de vereda
sou casulo do bom, bicho da seda,
sou o coice que mata a besta fera.


Sou quem pega malandro lá no morro,
sou o bom, sou o rei, sou papa fina,
sou quem pode acabar com a cocaína,
sou a Foz do Iguaçu com todo jorro.
Sou quem caça no mato sem cachorro,
sou o vento siroco no deserto,
“sou dos filhos de ‘mãe’ o mais esperto”,
sou fogueira esquentando o velho sol,
sou melhor que Pelé no futebol;
não sou Deus mas, lhe juro, passei perto.


Sou a febre que mata, sou ebola,
sou um anjo de graça, um Querubim,
sou a fera valente que dá fim
em cantor que não sabe o que é viola.
Sou o chefe que manda o quilombola,
sou peixeira amolada de açougueiro,
sou o galo que canta no poleiro,
cantador, vê assim se tu me entendes,
sou o “bicho feroz”, sou Danga Mendes,
comandante geral desse terreiro.


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