Não há mais versador como foi Pinto
Na viola soltando o improviso
Não há mais repentista tão preciso
Na poesia versada tão distinto
Não há mais o poeta tão sucinto
Na disputa do verso onipotente
Não há mais cantador tão competente
Na peleja do canto improvisado
“Não há mais cascavel de bote armado
na vereda apertada do repente”
Não há mais outro bardo com o sorriso
Na contenda acirrado tão faminto
Não há mais no universo um outro Pinto
Na passagem se foi pro paraíso
Não há mais quem calcule o prejuízo
E a saudade que chora a nossa gente
Não há mais quem assista novamente
Na noitada outro vate iluminado
“Não há mais cascavel de bote armado
na vereda apertada do repente”
Não há mais na campina ou tabuleiro
Na caatinga no campo ou no serrado
Não há mais outro vate preparado
Na bitola de Pinto do Monteiro
Não há mais quem persiga o seu roteiro
De poeta extremista e exigente
Não há mais o cantar tão envolvente
Na latada onde Pinto foi glosado
“Não há mais cascavel de bote armado
na vereda apertada do repente”
Não há mais no Nordeste brasileiro
Cantador que imite o velho Pinto
Não há mais alegria no recinto
Onde canta o poeta violeiro
Não há mais nosso Pinto do Monteiro
Destemido capaz clarividente
Não há mais a figura do valente
Que deixou sem suplente o seu reinado
“Não há mais cascavel de bote armado
na vereda apertada do repente”
Não há mais nosso Pinto do Monteiro
Guardião protetor da poesia
Não há mais a fiel mitologia
Do poeta açoitando violeiro
Não há mais no rebanho o pegureiro
Cuidadoso servil eficiente
Não há mais versador tão eloqüente
Vive hoje o parnaso abandonado
“Não há mais cascavel de bote armado
na vereda apertada do repente”