FLOR DE CACTO

O cacto germina entre os frânguedos
de um deserto infeliz, árido, ardente,
em sua solidão abriu dois braços
para o infinito, eterno, indiferente.

Da vida as estações lentas passaram
castigando- no ardor da crua luz
quem d elonge o bisse julgaria
ali plantana uma cinzenta cruz.

O siroco ao passar ruflando as asas
dizia a declamar por seus caminhos
que viria um espectro em dor crucificado
cricvado todo de créis espinhos.

Foi quando uma erradia caravana,
buscando a terra santa, ali pousou
sobre suas ilusões Raquel formosa
aos pés do cacto, trêmula chorou.

Suas lágrimas rolando nas areias,
foram tocar-lhe as tórridas raízes;
gotas de confissão silenciosa
de passadas histórias infelizes.

E quando no outro dia a “Estrela Dalva”,
dos noturnos lençóis se descobriu,
outra Dalva, sua irmã, viu no deserto
foi o cacto cinzento que floriu.

Tu, formosa mulher, que a caravana
dos sonhos trouxe à minha amarga vida
colhe esta flor de cacto de minh’alma
à negra luz dos olhos teus nascida.

Jorge de Assis Peixoto
Nanuque- MG, 2003