MULA BEATA - PAULO CHOCO

Alberto Santana, o mais severo fiscal do Estado sediado em Itamarajú – Ba, morou numa fazenda não muito distante do Posto onde trabalhava. Fazia o trajeto com muita freqüência montado em Beata, sua velha companheira de labuta. Nas imediações do posto havia uma pequena mercearia onde ele se abastecia com gêneros alimentícios. Os anos se passaram na mesma rotina. Certo dia, na hora da saída para as compras o vaqueiro lhe avisou que teria uma vaca com dificuldades para dar a cria e precisaria da sua ajuda para juntos fazerem o parto. Como ele sabia que o trabalho seria demorado, entendeu que soltaria a mula arriada com o alforje e quem sabe, ela fosse sozinha até a mercearia. E assim fez. A mula não hesitou. Foi parar no lugar costumeiro. Lá chegando os amigos de Alberto, o dono da venda, etc. estranharam a presença de Beata sem o dono. Comentaram entre si o que poderia ter acontecido. De certa forma preocupados com a integridade física do amigo, se questionavam, emitiam opiniões a respeito do fato, até que um deles teve a curiosidade de olhar dentro do alforje. Mataram a charada. Lá estava a nota da feira. Não hesitaram. Fizeram a embalagem dos itens, colocaram no alforje e enxotaram a mula de volta. Beata não quis acordo. Levavam-na até o corredor, enxotavam-na e pouco depois ela estava de volta. Fizeram isso algumas vezes, até que alguém teve a lembrança de conferir a lista das compras. Resultado: “Fartava mei quilo de açúcar”.