Deslizando o meu barco maneiro
Sobre as vagas gigantes do mar
No comando do leme altaneiro
Procurando o idílio encontrar
Singro as águas cantando ditoso
Um porvir de alegria e prazer
Na esperança de vê-la animoso
E em seus braços o amor refazer
E no barco da vida levando
A esperança nas ondas revoltas
Persistente a buscar navegando
As carícias em névoas envoltas
Tal gaivota temendo o assoalho
Protegendo o seu ninho adormece
Numa rede sozinho me agasalho
Mas não durmo e o meu dia amanhece
Vou carpindo à deriva o destino
Conduzindo pesado uma carga
Os meus dias são de sol a pino
E a angústia a ruir não me larga
É bem longa essa minha viagem
Sinto um gosto amargoso em meu fim
Mas não posso perder a coragem
Quero a sorte bem perto de mim
Não controlo seguro os meus passos
Estou sendo levado sem norte
Quero a glória e não meros fracassos
Vou lutar e vencer como um forte
E a mulher desejada?... Essa prenda
Que não acho e insistente procuro
Escapou por aí virou lenda
E sem ela esse mal eu não curo
Outubro de 2007