Remei a canoa altaneiro
Busquei no oceano o pescado
Voltei não perdi o roteiro
Trazendo o meu corpo cansado
Num porto seguro ancorei
Saltei como um bom pescador
Com o peixe na praia rondei
Caçei e não vi meu amor
Na areia da cor do arminho
Vaguei a deixar o meu rastro
Tentando encontrar o caminho
Segui do navio o seu mastro
Confuso singrei sobre as águas
Nadei tibunguei sobre as ondas
Tentei afogar minhas mágoas
Sonhando formosas Geocondas
O sonho morreu na verdade
Ouvi do fantasma o seu grito
Clamando pela divindade
Sumiu pelo vasto infinito
E hoje sozinho me deito
Balanço o pensar numa rede
O amor explodindo no peito
E o peito explodindo de sede
A vida tirana que levo
Ruindo a mentir só me engana
Mas fujo do impulso malevo
Cantando dolente a tirana
E assim cumprirei minha sina
Em busca dos sonhos só meus
Vencendo e transpondo colinas
Na rota traçada por Deus
Gurirí, Set. 2007