REDE PREGUIÇOSA

Com as pontas dos dedos toco o chão,
empurrando de leve a minha rede;
com a planta do pé chego à parede,
aumentando o embalo folgazão.
Com saudades eu sinto o coração,
na lembrança de amores, castigado.
Pouco a pouco me livro do enfado;
bem moroso, o meu corpo balançando,
no rangido da rede repousando,
pesaroso, pensando no passado.