RETRATOS NA ALMA

Arranquei os retratos da parede,
pra esquecer um amor que me consome,
mas dos beijos molhados tenho sede,
e do corpo macio eu sinto fome.

Me balanço disperso em minha rede,
de repente à memória vem seu nome.
Mas insiste o destino em dizer - lede
nos anais - esse amor só vos carcome.

Mas não posso esquecer, - assim me vejo -.
Sem querer, alimento esse desejo
que me agita e me tira toda a calma.

Não importa tirá-los da parede,
ou tentar esquecê-los numa rede,
se eles vivem cravados em minh’alma.