VIDA AMARGA

Vou levando uma vida amargurada,

por não ter planejado a própria vida;

capinando o furor dessa descida,

cambaleio sem prumo na estrada.

Mas eu tenho que ir nessa jornada:

humilhado, sem fé, sem vaidade,

sem guarida, sem força, sem vontade,

sem afã, sem impulso, sem crendice,

na cadeia enganosa da velhice,

vou carpindo um passado de saudade.

Teixeira de Freitas, 12 de agosto/ 2003.