TRISTEZA

Sentindo a vida ir tão sorrateira,
passando o tempo num corcel veloz,
sofrendo a falta, só, das brincadeiras
que a infância alegre traz para nós.

É nessa estrada extensa sem fronteira
— e não tem volta esse caminho atroz, —
que a saudade é minha companheira,
num vôo silente qual um albatroz.

Nessa viagem triste, sem adorno,
na caminhada que não tem retorno,
andando em frente onde só tenho a ida,

me sinto o ferro que parou no porto,
onde a ferrugem, corrói, deixa morto,
corrói o tempo insano a minha vida..