MEU CANTO MUDO

Arrulham as pombas todas reunidas,
na copa verde imensa da jaqueira.
Cantam felizes louvam suas vidas!
Ouço e contemplo triste a zunideira.

Às vezes fogem, cantam às escondidas,
na majestosa, linda amendoeira.
Quando as procuro partem em despedidas,
vão gemer longe, já n’outra fronteira.

Quero cantar também... não tenho voz.
Elas em bando; Eu, aqui a sós,
modorro o tempo rápido e cruel.

Seria bom também, cantar com elas,
abrir do peito todas as janelas,
não verter prantos com sabor de fel