Era uma loja próspera e sortida,
tendo à vitrina um manequim perfeito.
Era o progresso no melhor conceito,
com vida própria... era a própria vida.
Mas veio o tempo e destruiu tudo.
A traça corroeu o manequim.
Tinha chegado aquela loja ao fim...
sem mais ruído, ali tudo era mudo.
Sinto no peito a dor dessa verdade,
com o tempo e a traça juntos contra mim,
a corroerem o meu amor, enfim,
aparecendo em forma de saudade.
E essa angústia que o meu peito invade,
me faz sentir... a loja e o manequim.
Prado, 1985.