NESO CANÇÃO

Neso Cancão,figura folclórica que Utinga,no sertão baiano,exportou para Ibicaraí,região cacaueira,e que depois de muitos anos reclamou o seu filho ilustre para guardá-lo em seu torrão natal, na eternidade,deixou muitas historias interessantes. Comercializava com tudo que estivesse ao seu alcance. Na época áurea do Jacarandá foi ele um comprador ferrenho, escalando serras na mata atlântica em busca do ouro vegetal.Certo dia um corretor lhe procurou para informar uma área de mata onde havia ainda uma certa abundância da madeira e entusiasmado tentava ganhar o seu trocado na corretagem, encorajando o possível comprador.Neso, já acostumado com tais informações não se deixou envolver com tal entusiasmo e, com ares de pouco interessado perguntou:

- E qual é o rodo (diâmetro) médio da madeira?

O corretor, no afã de conquistá-lo, pôs os braços em circulo simulando um diâmetro avantajado,quando ele interferiu:

- Só serve pra CHÁ

Certa feita ele presenciava a negociação dum vendedor de peixe com um cidadão abastado, pecuarista renomado, porem comedido em seus gastos, quando pediu que o vendedor lhe fizesse um preço mais acessível.

- Quanto é o robalo? ( só havia um)

- É dez cruzeiros...

- Você faz menos?

Nesse momento Neso atravessou o comprador com a intenção de provocá-lo, pois lhe conhecia a fama de econômico e disse:

- É meu o peixe... tome aqui os dez e mais dois pra você mandar entregar em minha casa. Robalo come quem pode.

O fazendeiro estranhou a atitude grotesca daquele cidadão pra ele desconhecido e comentou:

- Quem é esse cidadão?

- È um novato comerciante de tudo que apareceu aqui...

- Vai morrer pobre!...