MAS NÃO TIRE O CHAPÉU DE MENININHO

Tire o doce gostoso da criança
Tire o terço das mãos d’uma beata
Tire o jorro abundante da cascata
E retirem Degaulde lá da França
Do cristão tire a fé na esperança
De Drumond tire a pedra do caminho
Tire a rosa do galho sem espinho
Tire a força assombrosa do maluco
Tire a “gota serena” em Pernambuco
Mas não tire o chapéu de Menininho

Tire as contas benditas d’um rosário
Entre os dedos nervosos do carola
Tire a fé de Zumbi no quilombola
Tire o padre que benze o campanário
Tire o nicho e despreze o santuário
Tire a bola dos pés de Ronaldinho
Tire o pássaro implume do seu ninho
Tire os fogos da festa de São João
A bronquite de rico de “Paulão”
Mas não tire o chapéu de Menininho

Tire a seca ferrenha do nordeste
“Padim Ciço” Romão do Juazeiro
Tire a fé que embala o bom romeiro
E da rosa-dos-ventos tire o leste
Tire o bode das terras do agreste
Do sulista aguerrido tire o vinho
Tire a crença do bom Santo Agostinho
Do malandro do morro a cocaína
Tire o povo judeu da Palestina
Mas não tire o chapéu de Menininho

Tire Evo Morales da Bolívia
O rompante nojento de Ugo Chaves
Do espaço infinito as cosmonaves
Do Popey marinheiro tire Olívia
Da mulher do bordel tire a lascívia
Do gari a ciscar tire o anchinho
Da cadela parida o cachorrinho
De Itabuna o escritor Zeca Rafouche
A coragem felina que tem o Bush
Mas não tire o chapéu de Menininho

Tire o Bolsa Família do carente
A bengala do cego viajante
O destino que leva o retirante
A rezinga do povo do oriente
Do servil marechal tire a patente
Do imortal Charles Chaplin o bigodinho
A canoa e o anzol do ribeirinho
Do iate veleiro tire o mastro
Lá de Cuba retirem Fidel Castro
Mas não tire o chapéu de Menininho.

Menininho:
Comerciante de carros em Itabuna, e que nunca tirou o chapéu em público.

Paulão Nunes:
Rompante de general e coração de criança.