A CUMURUXATIBA

Se tu vens pra curtir a natureza,
se tu queres a paz tão desejada,
se tu vens assentar-te à minha mesa,
que o destino me deu tão abastada,
chega à frente, tu tens um companheiro...
é aqui o lugar, meu camarada.

Mas se vens com idéias de profano,
com mais jeito de “cão” que de humano,
vou riscar o teu nome do caderno.
Vá-se embora daqui me deixe em paz;
por favor não retorne nunca mais...
não transforme o meu mundo num inferno.

Que teu carma ruim também não fique,
pois eu vejo o bom Deus na minha paz,
nesse rio, nesse mar e nesse cais,
silêncio... aqui repousa um Cacique.

Sobre a falésia imponente,
lá no cimo do outeiro,
descansa o pajé guerreiro
da caminhada ingente.
Outrora bom combatente,
ante a luta mais renhida,
e hoje na despedida
pede a saudade que fique
alada ao velho Cacique
na recordação da vida.

Foi difícil deixar o meu sertão,
a fazenda no campo, o meu cavalo,
o forró, farinhada e o estalo
lá no céu onde estoura o foguetão.
O chapéu guarda-peito e o gibão,
na maré fui buscar outro caminho;
do sertão recordar um bocadinho;
só espero que Deus me abençoe
na pegada do grande peixe-boi,
num cavalo chamado de marinho.