O casaco era cinza prateado
e na calça se via o mesmo tom.
Por instantes me vi frente ao passado,
enfiado num velho moletom.
Uma aura eu sentia do meu lado,
feito réstia ou um feixe de néon,
duma sombra do amor, já desgastado,
como um grito gemido, sem ter som.
Era ela que estava ali presente,
encarnada na roupa, certamente,
que fizera com arte e mãos de fada.
Na regência sutil da minha sina,
nesse feixe de luz eu via Dina,
minha ninfa... a eterna namorada.